quinta-feira, janeiro 31, 2008

Resposta sem solução

A velhice é algo que nos consome. Experiência é o resultado de uma equação entre o tempo e a sabedoria. Quanto mais gastamos um, adquirimos outro.
O tempo nos corrói, nos maltrata em pedaços, lentamente. E demora uma vida pra nos matar.
Com o tempo, aprendemos a desaprender algumas coisas. Ou, até mesmo, deixamos de nos importar com alguma. A Sabedoria e a Experiência tem seus pontos fracos. De tanto nos ensinar como as coisas são e acontecem, quando estamos um pouco mais experientes, perdemos o gosto, a surpresa, o sentimento do que gira ao nosso redor.
Nossa! Como é difícil descobrir coisas novas depois que já se viu de tudo!
As bocas perdem o gosto, os movimentos perdem a criatividade, as pessoas deixam de ser interessantes e o tempo torna-se previsível. Tudo torna-se previsível e, se não for, nosso orgulho não nos deixa mais acreditar que foi uma surpresa.
Com o tempo, os sentidos ficam cada vez mais insensíveis. A chuva já não é sentida do mesmo jeito, não desliza a pele como antes, a Lua já não é mais tão branca e brilhante, o mar não faz mais barulho, o vento não desarruma mais os cabelos, o açúcar não tem mais o mesmo gosto e as pessoas já perderam o perfume.
Eis que vem à tona uma antiga incógnita: Envelhecer tendo experiência ou viver a infantil juventude eternamente?
Creio eu, com a minha inexpressiva experiência, que a resposta não está na escolha do caminho a seguir, mas, sim, na busca por novos fatores que venham compor àquela equação.
Então corramos procurando novos fatores, novas somas, subtrações, multiplicações e divisões. Que essa equação não seja simples, que seja bastante complicada, que nós, experientes ou não, nunca encontremos o resultado. E que todos os novos cálculos, respostas e soluções sejam novidade!

Cauã

terça-feira, janeiro 22, 2008

Evolução obscuramente explícita

Hoje tentei escrever algo legal, mas não consegui.
Vi que isso está explicitando demais minha vida, contando minhas maiores fraquezas, meus maiores defeitos... Vou começar a escrever sobre minhas qualidades. Coisas que eu acho legal em mim, fazer um auto-merchan pra aqueles que ainda gastam tempo lendo isso.
Vou parar de contar meus segredos, pra que algumas pessoas descubram, e parar de escrever coisas que posso contar pessoalmente.
Mas, sinceramente, não consigo! Sinto necessidade de deixar meus podres para que toda internet veja, pra que, daqui a alguns anos, eu veja e consiga avaliar o quanto eu evoluí, se as minhas idéias de hoje farão sentido amanhã.
Tenho grande afeto as minhas coisas, não consigo me desvencilhar de alguma coisa que seja minha com facilidade. Então descobri que além de escrever para os outros, para que os outros comecem a descobrir meu eu mais obscuro, eu escrevo pra mim, para que eu me lembre do meu eu mais obscuro e saiba o quanto eu evoluí amanhã.

Sinta-se a vontade de saber quem eu sou, pois você saberá o quanto eu evoluí. Não perca por esperar.

Cauã

Tapas

"Ave falconiforme, distribuída do Panamá à Argentina, de coloração pardacenta mais escura no dorso e na cauda, esta com faixas claras transversais; tem o lado inferior branco, uma mancha clara circundando o pescoço, uma faixa negra em torno dos olhos, prolongando-se até a nuca, e o alto da cabeça branco. Ave de rapina que ataca especialmente os ofídios".

Um dia éramos aves de rapina, cheios de palavras a correr nos finos vasos sanguíneos dessa ave atroz. Mas o nosso ataque era bom, leve, utilizava símbolos para expressar nossa paixão pela vida, nossos desafios e o mundo - o nosso mundo,visto por dois pares de olhos que olhavam para o mesmo horizonte perdido. Até que eu percebi as palavras transbordarem em erupções cada vez mais constantes, cheias de uma sensível sabedoria, e um dia resolvi criar esse mundo de representações, onde você e eu expressaríamos o nosso mundo..

Outro dia me dei conta dos rumos em que voamos e, com espantosa nostalgia - essa a que se refere -, notei o percurso contrário que tomamos. Percebi ainda, com maior espanto, a enorme distância que separa nosso vôo e o quanto a sua ave encosta o bico no peito e só se dá conta da sua individual existência. Ela diz andar em corda bamba, assume que o sentido do seu vôo está apenas em fazer com que os outros pássaros a perceba e ame e, por fim, nota esse coração de pedra e frio que agora bate em seu peito. Confesso a minha decepção, mas animo-me em ver uma possível revolução! Estou batendo na sua cara para que você também bata na minha, dou-lhe minha face, meu peito, minha arma. As minhas verdades - se é que as tenho - parte são dúvidas, parte encantamento, parte tristeza, agonia, felicidade, contradição! São elas as impulsionadoras daquilo há muito guardado sob minhas asas. Se as suas verdades são aquelas que me fizeram decepcionar, então enxugo as lágrimas e o compreendo do jeito que é, ou se tornou – tudo sempre muda; mas se elas são apenas máscaras de verdades muito mais simples, então sim, dou-lhe todas as tapas à cara e digo-lhe que um dia, quando as quiser tirar, estarão pegadas à cara.

Primeiro senti a raiva de não vê-lo mais voar comigo - ou será que fui eu quem desviou o caminho? Caminho.. parece que há um certo e um errado, não, não há. Só chegou um dia em que as nossas diferenças foram maiores que as semelhanças. Como é difícil aceitar isso! Mas depois da raiva vem a aceitação, a plenitude da realidade se mostra boa, simples de ver: estaremos sempre voando, o horizonte ainda nos espera, o que mudamos foi o modo de chegar lá. Então o amor fica guardado e os álbuns fotográficos gravam as melhores memórias. "Tudo acaba, mas não completamente" - disse certa ocasião.

Agora bata em mim, sempre senti falta da sua raiva.
Acaná.

Pensaralhada

Essa overdose de textos deve ser culpa da proximidade do aniversário. Pensamentos turbilham, todas as avaliações de mais um ano que passou vêm a tona e a vontade de soltar milhões de gritos palavreados é imensa.
Vou dormir, tchau. Feliz amanhã

Cauã

Revolução Despedradeira

Há algum tempo que meu coração empedrou. Não sei exatamente se existe esse verbo do mesmo jeito que não sei exatamente quando foi que meu coração ficou assim.
Só sei que não foi algo repentino, foi gradual, coisas e coisas acontecendo, pensamentos e pensamentos reverberizando, atitudes e atitudes se fazendo... Até que ele empedrou. Puf. Virou pedra.
Já não consigo mais amar, gostar com vontade, querer tudo pra mim com intensidade. Aquela força de vontade de antes virou pedra, está estática. Está tudo preto-e-branco. Lógico, tudo limitado ao setor do coração. Virou um ministério sem uso no governo chamado eu.
Começou uma revolta, uma desorganização total. Acabaram-se os escrúpulos, cairam as taxas de afetividade, o preço do carinho despencou e a sinceridade comigo mesmo bateu os recordes de inflação. A Temperatura corporal beirou o zero absoluto, mas já relatei isso anteriormente.
Só que, como todo governo, a ditadura tinha uma fraqueza: os revolucionários.
Os revolucionários vieram de longe! De dentro do próprio governo - que estavam escondidos em gabinetes abandonados no fundo do corredor - de fora, de outros governos contrários à essa ditadura de pedra, e até de partes que eram aliadas que cansaram daquela mesmice sem graça e sem tesão.
Essa revolução começou pequena e tem ganhado grandes proporções. Os revoltosos, apesar da classificação, são pacíficos, querem dominar o governo calmamente e espalhar suas idéias pelo mundo. É, o mundo. Não precisa ficar só aqui, eles pensam macro, e não micro.
Hoje foi a sua primeira manifestação pública e explícita. Fizeram o mundo tremer, Eu tremeu. Postaram milhões e milhões de faixas coloridas e nostálgicas com lembranças amorosas que fizeram o povo - que já estava acostumado com aquela pedraria - sorrir. Cenas de amores intensos, declarações de amor e olhos esperançosos foram exibidas nos principais telões do país.
Não sei o que vai ser daqui pra frente. Com essa grande revolução começando, pode ser que o governo mude algumas coisas, tome atitudes drásticas, recorra à outros governos para que o ajude... São várias as possibilidades. Mas algo me diz que o mundo está voltando a ser colorido de novo.

Cauã

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Pedaços de 2007

Se tem uma coisa que 2007 me marcou, foi a sua ida, o fato dele passar e nunca mais voltar, o fato de nascer no dia primeiro de janeiro e morrer no dia trinta e um de dezembro. E isso. Nada mais.
Assim como 2007 foi sem deixar mágoas, choros ou dor, ele me ensinou a viver assim diante de todas as despedidas que passei em 2007.
Em 2007 aprendi que tudo que vai, volta. Se não volta, não tem porque eu querer que volte.
2007 começou com mais uma despedida repetida que não é bem uma despedia e teima em acontecer de semestre em semestre (ta, ninguém vai entender). E nessa despedia eu decidi que seria o último tapa da saudade mortal que eu levaria na cara. Se essa despedida acontecerá mais algumas vezes, vou esperar pelo tapa violento na definitiva.
Em 2007 também conheci muita gente. Antes, quando eu conhecia muita gente e gostava muito dessa gente e depois me separava dessa gente, era horrível. Chorava, ficava deprê e depois passava. Tinha que passar.
Em 2007 eu descobri que as pessoas que realmente valiam o meu choro antes de 2007, eu reencontrei no bendito 2007. Então, pra quê chorar uma despedida se um dia vai ter recepção?
Então, pra quê chorar uma despedida se um dia a dor vai passar e não vou ter outra recepção?
Pra quê? Por que? Não tem. Não precisa. Não faz, deixa sem.

E foi assim que 2007 foi: sem choro, sem despedidas, muitas recepções e muito tempo aproveitado no lugar do choro.
Aprendi a dar valor nos encontros e não pensar em como vai ser minha vida depois, sem aquela pessoa. Aprendi a valorizar o momento, o fato de ter encontrado, devido a magia do destino, aquela pessoa. Aprendi que as pessoas que realmente me marcam, não vou deixar de vê-las, um dia, qualquer dia, mesmo que tenha despedida, eu vou reencontra-las.
E, principalmente, aprendi a não esperar muito do futuro, pois se o passado me pôs num bom presente, futuro é conseqüência.
2007 me fez saber distinguir as pessoas que realmente vão tirar um pedaço do meu coração e leva-lo consigo, daquelas que me deram um pedaço do seu coração e eu vou leva-lo comigo.

Depois de 2007 eu faço de tudo pra que todas as pessoas que eu conheça me dêem um pedaço do seu coração e que eu possa dar à elas um pedaço do meu. Sem choro.

Cauã

Estranho...

Hoje foi um dia de bombardeio de emoções, de dúvidas, de coisas estranhas. Bem estranhas.
Eu gosto de coisas estranhas. Me acho estranho. Eu me sinto bem por me achar estranho. Mas gosto de me achar um estranho não tão estranho porque todos são um pouco estranhos e sempre vão ter um pouquinho da sua estranheza, assim, lhe deixando menos estranho.

Quando se repete muito a palavra "estranho" ela parece mais estranha do que já é.

Cauã Estranho

sábado, janeiro 19, 2008

Todo dia de manhã

Nostalgia é um troço complicado, né? Diferente da saudade, ela existe em diferentes línguas. Nostalgia não é saudade, nostalgia é sentir falta mesmo, é abstinência, é viagem no tempo, é fogo-amigo, é ferida aberta que a gente não quer curar, é um tiro no próprio pé.
Sinto a saudade como algo não muito intenso mas sofrido. É aquele sizo nascendo que dói pouco, mas por muito tempo.
Nostalgia eu vejo diferente. Nostalgia é aquele soco no estômago, que te deixa sem ar, sem equilíbrio e sem reação. Nostalgia é bombardeio de saudade, é explosão de dor. É tipo um trem bala, que vem e vai rápido e leva e traz muita coisa.
Como eu disse, nostalgia me faz viajar no tempo, me faz acordar de vez em quando.
Nada como um dia nostálgico! Dia nostálgico deveria ser justificativa de falta no trabalho. Ou então, assim como temos um dia pra ir à igreja e um pra ir ao motel, deveríamos ter um dia pra nostalgiar. Desanuviar, ficar olhando pro céu, pras paredes ou para a estante... por horas. Dia de saber que alguém, em algum lugar do mundo, está tendo um turbilhão na cabeça e lembrando de você com muita vontade. Dia de por todas aquelas músicas gays ou alcoólatras no winamp e ligar pra todo mundo. Tipo, companhias telefônicas reduziriam as tarifas. "Do seu celular pra qualquer telefone do mundo você liga com tarifa reduzida nos fins de semana e madrugadas. Dias nostálgicos é de graça!!". Imagina como o mundo seria melhor.
Ninguém nostalgia momentos ruins. E se acabar ocorrendo, vai ser com aquele sorrisinho no canto do lábio.
O Decreto do Dia Nostálgico seria a melhor maneira de fazer as pessoas pararem de reclamar que a vida delas está passando e elas não percebem. À cada semana elas poderiam nostalgiar todas os bons acontecimentos. Nostalgiar marca na memória. Eu ainda consigo lembrar de todas as coisas dignas de se nostalgiar.
Isso evitaria brigas de namorados porque um ao outro saberiam que poderiam pensar no ex, mas só naquele dia, e pronto. Evitaria aquela conhecida ressaca moral também, com o costume de nostalgiar, nós nos desprederiamos do hábito de taxar as coisas como boas e ruins. Pessoas começariam a ter o hábito de achar tudo bom, pois tudo que fosse lembrança seria nostalgia.

Enquanto o decreto não vira lei, eu vou aqui treinando, me dando um tiro no pé e não fechando a minha ferida, nostalgiando, todo dia de manhã, as besteiras que fiz ontem.

Cauã

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Frio

Tenho um sério problema.


Na verdade não sei se é um problema ou uma puta de uma qualidade! Às vezes eu acho que sou abençoado por ser assim. Às vezes, durante a nostalgia das besteiras de ontem, eu me sinto um lixo.
Meu grande problema é não saber tudo sobre os outros. E isso me deixa bastante agoniado. É, só eu. Arram.
Tá, vou começar a ser frio. Primeiro eu quero saber se todas as pessoas conversam muito consigo mesmas. Mas eu digo, tipo, MUITO. Porque eu sou assim. E, sendo assim, eu já peguei abuso de mim mesmo. E quando estou conversando comigo falo as coisas na minha cara, sou muito verdadeiro. E muita verdade é sinônimo de maldade.
Cara, eu sou um cara muito mau quando converso comigo mesmo. Não tenho escrúpulos, 'falo mermo', penso o que é pra pensar e piso nos pensamentos que tiver que pensar. Sei avaliar quando fui falso e quando fui verdadeiro, de quem eu devo me afastar e de quem eu devo me aproximar... O que eu tenho que fazer ou falar pra alguém se interessar por mim, como eu tenho que agir pra reverter uma situação... Sério, tenho medo de mim às vezes.

Só não tenho medo toda hora porque sei que sou humano. E nem sempre consigo fazer tudo aquilo que eu e meu eu frio e calculista planejamos. Algumas vezes o coração - sim, o coração! - manda no pedaço. Daí, cara, nem queira ver o que acontece. É uma baita de uma briga louca, cheia de bombardeios de pensamentos e tiros de insônia.

Eu acho isso tudo bom. Todo dia, toda hora, a todo pensamento eu estou brigando comigo mesmo e me conhecendo cada vez mais. Mas estou ficando viciado em ser verdadeiro comigo, aprendi a não me ofender com o que eu falo pra mim. Daí eu fico com medo. Mas medo é bom. Eu fico na dúvida se tudo isso é bom ou ruim.

- Porra, Maurício, já ta falando a mesma coisa?
Foi mal, gente, tenho que ir porque eu to aborrecido e sem paciência. Eu vou lá falar comigo e volto qualquer hora.
Feliz amanhã

Maurício e Cauã

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Parece

Às vezes parece que eu fico algumas épocas, meses, talvez dias ou horas, dormindo. Meio que sonhando acordado. E às vezes parece que eu acordo. Parece que eu passei por certo período de tempo e não percebi. Parece que certas coisas eu não vivi. Parece que ainda não tinha percebido que certas pessoas eu tinha conhecido ou gostado. Parece que algumas coisas tinham perdido o gosto. Parece que alguns amigos eu esqueci.
Mas meus acordares, nessas vezes que durmo acordado, parecem muito chocantes. Mas são aqueles choque de reanimação que dão um baita dum impacto e depois vão me fazendo sentir aquela dor, no caso, angústia.
E acho que esses acordares me ajudam às vezes a me acordar acordado. Mesmo não me fazendo viver o que parecia não ter vivido; mesmo não me fazendo perceber o que eu parecia não ter percebido ou gostado; mesmo não me fazendo achar as coisas que pareciam que eu tinha perdido; eu gosto deles.
Querendo ou não, tudo isso é bom. Os dormires me ajudam a, quando acontecerem os acordares, aprender a não dormir mais. Já que nasci dormindo...

Cauã

terça-feira, novembro 20, 2007

Ego-ismo

Venho aqui, por meio deste, declarar minha total ciência e consenso de minha situação de assumido Egoísta!
Assumo que, como qualquer egoísta, quero alguém que lembre de mim, que pense em mim pelo menos seis vezes ao dia, que seja feliz por me conhecer, por saber que eu existo e que seja feliz porque eu a faça feliz. Também assumo que desejo intensamente que essa mesma pessoa nunca saia de perto de mim, que nunca me troque por mais que eu acabe trocando-na, que essa pessoa não toque no nome de pessoas que eu não conheço, pior ainda se os comentários forem beníguinos!
Declaro que sou egoísta pelo simples fato de qualquer coisa que penso pelo bem do próximo é causa de algum bem que penso por mim mesmo. Declaro que desejo de volta todos os favores que fiz independentemente da importância ou do tamanho dos mesmos.
Assumo que só sou um romântico assumido porque essa é a melhor forma de ter certeza que conseguirei alguém que pense em mim vinte e quatro horas por dia e, conseqüentemente, me ame. Assumo que amo apenas por egoísmo.
Confesso que tudo o que uso, aparento, pareço ou tento ser é exclusivamente pra parecer mais agradável ao olhos dos outros para poder conquista-los. Sou viciado em conquistar pessoas. Tudo por causa de meu egoísmo.
E para terminar: Assumo, declaro e confesso em sã consciência que gosto do jeito que sou, que consigo benefícios em ser egoísta e que acho que essa é a melhor forma de viver pois consigo ser feliz sem nem sempre pensar apenas nos outros.

Cauã, O Egoísta.

domingo, novembro 11, 2007

Jovem

Quando eu crescer eu quero ser jovem. Jovens são malandros, jovens são tranquilos. Quando eu deixar de ser criança, quero ser jovem.
Jovens andam na corda bamba que está entre a responsabilidade e a loucura. E eles passam a juventude inteira andando perfeitamente nessa corda.
Crianças vem pelo lado da loucura e os adultos caem pro lado responsável.
Quando eu crescer, quero ser um jovem bem equilibrista, mas que de vez em quando erre. Quero aqueles erros que me joguem pro lado infantil, mas depois me façam ver que tinha que ter jogado o corpo pro outro lado. Quero da saltos, quero correr, quero andar debaixo de chuva por essa corda. Quero chorar, quero gritar, quero sofrer e quero sorrir. Quero fazer todas essas coisas que os jovens fazem. Quero que essa corda tenha um fim, quero termina-la. Adultos não terminam de andar na corda. Sempre quando está na melhor parte eles caem por não saber se equilibrar. Filhos, pais e mães, drogas, trabalho, estudo... Tudo isso e mais um pouco fazem muitos jovens cairem dessa corda maravilhosa na melhor parte. Quero poder termina-la, mas termina-la quando eu já estiver beeeem velhinho, quando estiver um jovem bem velhinho.
E quero passar a vida inteira nessa corda bamba e depois, lá no final, quando já estiver bem velhinho, eu desça dela pra receber um prêmio de mestre. Um daqueles prêmios que fazem a família inteira se orgulhar.

Cauã

quinta-feira, novembro 01, 2007

Um Bom Macaá

Como bom Macaá que sou, há muito tenho tentado entender o porquê de gostar de certas pessoas. Como bom Macaá que sou, meus raciocínios, pensamentos, conversas comigo mesmo são os mais frios e calculistas possíveis. Chego, em algumas vezes, ter até medo de mim mesmo devido a tantos pensamentos que só eu e eu mesmo sabemos.
Mas como bom Macaá que sou, esse medo passa e eu ganho uma pena dourada a mais.
Só que essa pena dourada dos porquês que gostamos de certas pessoas eu ainda não ganhei. É algo que nem um bom Macaá como eu consegue saber.
Existem certas pessoas que nos fazem bem pelo simples fato de existirem. Mas isso não é um porquê. Isso é um ser, não há explicação. Ser é ser, saber porque é outra coisa totalmente diferente.
E eu, como bom Macaá que sou, tenho que saber me entregar à essas pessoas. Como bom Macaá que sou, sei que quando não consigo achar uma resposta coerente nos meus pensamentos e conversas frias e calculistas comigo mesmo tenho que saber que essa é a hora de se entregar.
A vida de um Macaá ou não, não é feita só de explicações. Longe de mim, um bom Macaá, querer entender tudo.
Um bom Macaá entende que não deve-se entender tudo.
E é por isso que entendo que não sei porque gosto de certas pessoas. Gosto por gostar. E esse é o melhor gosto. Gosto de fruta preferida ainda não provada, gosto de beijo já sentido inesperado. Gosto de certeza que precisa de confirmação.
Gosto de amigo sem explicação, gosto de pai e mãe que sempre aborrecerão.

Eu, um bom Macaá, ainda não sei explicar o que é amor.
Mas eu, um Macaá que está sempre tentando entender que nem tudo deve ser entendido, sei que essas coisas que não tem explicação estão bem pertinho do amor.

Opa, apareceu mais uma pena dourada por aqui.

Até a próxima (pena dourada)

Cauã

terça-feira, outubro 16, 2007

Live fast, die young

Acho que minha vida está muito acelerada. Eu devo estar andando a uns 180 km/h nela. Tudo passa muito rápido, tudo muda muito rápido e não consigo prestar atenção no caminho.
É uma viagem legal, minha vida acaba sendo uma aventura, com coisas super excitantes no caminho, sempre desviando dos buracos, ultrapassando algo que não está no meu ritmo e passando por algumas lombadas de vez em quando.
Nossa, eu ponho a mão pra fora, escuto uma música com o volume no talo e grito mais do que posso. Essa viagem está sendo realmente boa!
Nunca conheci tantas coisas diferentes em tão pouco tempo, nunca visitei tantos lugares diferentes tão rapidamente e nunca fiquei tanto tempo curtindo.

Só que eu acho que está na hora de diminuir a velocidade. Sempre tem alguem bêbado que vem na contra-mão, alguma ultrapassagem perigosa, um animal no meio da pista ou uma barreira policial, algum acidente no caminho...
E o combustível está acabando. Posso me comparar a um carro econômico, esse tanque parece que não vai acabar nunca. O consumo é tão pequeno que parece que não consome.
Mas consome; e estou sentindo que já consumiu demais.

Bem, é difícil desacostumar o pé a pisar fundo no acelerador, ainda mais pra mim. Toda mudança, por menor que seja, é drástica. Mas pelo menos eu sei que nessa estrada que eu estou indo tem um limite de velocidade a frente.

segunda-feira, abril 09, 2007

Mudanças e tentativas

Ela tinha chego. Depois de três dias sem vê-la, chego exausto em casa e a vejo quando subo a escada. Não tinha falado com ela durante esses três dias; nem por telefone. E durante esses três dias, como eu vi que a vida é dificil sem ela.
A primeira coisa que pensei quando a vi, foi da-la um abraço forte, daqueles bem saudosos e supridores de necessidade, depois um beijo e, aí sim, falar com ela.

Mas não foi nada disso que aconteceu.
Antes de adentrar o quarto ela já veio com todos aqueles benditos três dias acumulados. Falou de coisas que eu fiz, não fiz, e que eu pensei em fazer e era errado. O beijo foi pro beleleu, o abraço então... passou longe.
Aquilo que eu pensei que tiraria meu cansaço, traria sorriso pras nossas bocas, foi por água abaixo.
Parei de ouvir tudo o que ela falava, parece que meu ouvido desligara e voltava a ser o mesmo que vinha dirigindo em direção pra casa. Toda aquela esperança que durou três ou quatro degraus desapareceu.

E de que adiantou aquilo? De que adiantou aquele assassinato à minha instantânea alegria? De que adiantou a minha tentativa espontânea de ser carinhoso?
Foi a primeira vez que isso aconteceu. Foi a primeira vez que tive aquela vontade, foi a primeira vez que ela cortou minha vontade.
E será que ela percebeu? E será que isso um dia pode ter volta? Será que vale a pena não fazer as coisas valerem a pena?
O que eu temo é a falta de dar o braço a torçer, o distanciamento das pessoas à mudança, à tentativa de fazer as coisas melhorarem.
Eu tentei, ela já deve ter tentado. Mas o que me assusta é essa sobra de desconfiança sobre uma atitude boa.
Devo eu tentar de novo?

Cauã

sábado, março 17, 2007

Chuuuuuuuuuuuuva


Não pára! Não pára de chover! Essa é a época do ano mais húmida, gripante, fria e marcante. Eu adoro! Tem gente que reclama das chuvas porque não podem sair de casa. E quem precisa sair de casa com uma chuvinha gostosa dessas?? Os filmes, as músicas, o cheiro, as amizades, as fotos, a temperatura, as aulas... Qualquer coisa que eu faço nesse período fica marcado. Já me peguei encutando uma daquelas "músicas de verão" (que pra mim é inverno), lá por julho. Foi quase um teletranporte. A paisagem da janela muda, os olhos enxergam mais cinza e a pele sente um calafrio. Abraçar, em agosto, aquela pessoa que não me lagou naquele começo de ano é dificil. O cheiro, o gosto da pele na boca... Lembrando, só lembrando das coisas dessa época, um ano atrás, me leva pra lugares nostágicos, com pessoas que fazem falta, fazendo e falando coisas que só acontecem nessa época do ano mesmo. E isso é um dos motivos que me fazem dizer que a vida é um ciclo, as estações do ano. Todo esse clima nos tendencia a fazer as mesmas coisas. E não foi a primeira e nem vai ser a última vez que vou ver uma chuva-de-depois-do-almoço na janela e vou ter vontade de escrever algo.

Cauã

segunda-feira, março 12, 2007

Nada é uma coisa só

João, o que está acontecendo com você? Você viu as besteiras que fez hoje? Por que toda essa revolta?Eu sei que é difícil ser assim, os poucos que reconhecem seus personagens diários, têm conflitos com eles. Eu entendo como é suportar não ser você mesmo todo o tempo. Mas entenda, enquanto você está sendo mentiroso, sempre terá um pouco de verdade em você.É assim que a vida é, não da, João, não da! Você não pode ser verdadeiro o tempo todo, assim como você não pode ser mentiroso, assim como você não pode ser feliz eternamente. Você é uma mistura onde os ingredientes nunca entram em contato. Por você não ser uma única coisa o tempo todo, você precisa escolher o que ser em cada situação. Mas João, aprenda! Sua vida depende desse revezamento, isso é imutável. Você não é o único que tem que ser diferente e nem é o primeiro ou o ultimo. O mundo é assim, as pessoas dependem disso e se tudo isso se misturar, não dá pra viver. Pense em como você feriu as pessoas falando todas as verdades, pense em quanto você assustou as pessoas sendo extremamente feliz, lembra em como você se sentiu falando mentiras pra quem não devia e o quanto você queria ser feliz quando se obrigou a ser triste.E, nem assim, você conseguiu juntar tudo numa coisa só, João.Nada é uma coisa só! Aprenda! Seja o diretor da sua peça, mande na sua vida. Escolha os atores certos, veja a fotografia com olhos diferentes, seja o protagonista, seja coadjuvante, seja antagonista. A vida é uma grande atuação, e felizes aqueles que são bons atores. Pois atores não mentem, não fingem, eles apenas escolhem bem o jeito de interpretar. Pense João, não esqueça que você está nesse grande teatro em que todos vivemos e cabe a nós fazer o público bater palma quando a peça terminar.

Cauã

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Envelhecendo

Acho que o medo de crescer é algo que assusta muitas pessoas, mas não lembro de me preocupar muito com isso até perceber que tinha crescido.
Nunca temi as responsabilidades, os amores não-correspondidos ou as rugas aparecendo.
Uma vez comentei que não conhecia ninguém próximo que tivesse morrido. E foi nesse momento que tive meu primeiro medo.
Sabia que com o tempo isso ia tornar-se mais freqüente. A gente vai envelhecendo e os outros também, vai chegando a hora de cada um partir, pessoas vão, outras vem, mas nunca ninguém é substituído.
E esse medo me assola! Um medo de envelhecer e perder quem amo.
Sou corroído por dentro quando me vejo velho, envelhecendo. E aquela angústia que dói no fundo do coração, aquela dor que faz brotar lágrimas dos olhos.
Sempre fui positivista. Mas todo meu estilo de vida vai por água a baixo quando me vejo envelhecendo. Pensar no presente é a melhor coisa a se fazer durante a vida inteira, “não se preocupar com o passado e não temer o futuro” é uma teoria linda, mas nunca consegui segui-la por mais de dois minutos. Pra mim é muito difícil não fazer planos, não imaginar as coisas como quero que sejam daqui a algum tempo. Mas no meio desses planos a morte pode aparecer e estragar tudo.
E ela surge. Esse nome tão forte que, de tanto ser, até evitamos pronunciar. Pode vir a qualquer momento. E quando faço aqueles planos pensando na hipótese dela aparecer, é aí que caio em pedaços.
A vida poderia ser sem-graça se nós não tivéssemos que envelhecer, mas seria muito, muito menos dolorida. Não faltaria sobra de tempo pra podermos ao menos ter aquelas pessoas que um dia teriam que envelhecer de vez. Pode ser algo muito cômodo, preguiçoso e, como todos nós somos, poderia não adiantar em nada, íamos continuar a não fazer o que devia pras pessoas... Mas volto a dizer, não seria tão doloroso pelo menos.
Mas a hora de todo mundo chega. Existe um momento que vamos parar de envelhecer por aqui e aquele corpo usado por décadas sede em algum momento e deixa de ter vida.
Como é inevitável, peço ao menos que as pessoas demorem um pouco mais pra envelhecer. Porque acho que não cresci, não envelheci o suficiente pra encarar isso.


Cauã

quarta-feira, novembro 15, 2006

Destecnolizar

Caramba! A minha máquina do tempo funcionou mesmo! 1990 é um bom ano pra começar uma vida nova. Cansei do stress e da correria de 16 anos adiante.
Sem computadores em todos os cantos, sem internet acessível a todos, sem celulares e com muitas mudanças.
Incrível como acabamos nos tornando verdadeiros reféns dessa tecnologia. Hoje já não conseguimos imaginar nossa vida sem esses apetrechos hi-tech's. E como não consegui sonhar com isso tambem, resolvi viver. Com toda a tecnologia que o mundo, em 2006, me oferecia, resolvi montara essa máquina. Vários telefonemas, várias pesquisas na internet, transferências bancárias em tempo real... ajudaram a livrar-me de tudo o que me "ajudou".
A manhã surge e estou em um "mundo novo" (ou seria velho?). Tenho que arranjar documents falsos e evitar encontrar-me pela rua, pois será um verdadeiro transtorno.
Que horas sã... ops. Já estava catando, sem sucesso, o meu celular no bolso. Parece ser umas 6 horas da manhã. O comercio e os departamentos publicos abrem às 8, pena que não tenho um despertador e/ou uma agenda eletrônica ambulante. Vou começar a prestar atenção nesses relógios de parede.
Ter que fazer tudo a pé é chato, mas não ter um celular pra ligar pra agenda telefônica da telepará é pior ainda.
Por sorte eu ainda tenho uns cruzeiros que tirei da coleção do meu pai pra poder me virar por aqui. Se pudesse, eu já tinha visto o meu saldo na conta do banco via-celular e facilitaria as coisas, que chato!
Pra mim, não é nada confortável não ouvir o toque do celular por um dia inteiro. Eu costumava espera-los de cinco em cinco minutos; agora é pior, eu os espero mesmo sabendo que não virão, é aquele sentimento de que algo está faltando, que chato!
Em 1990 as coisas são muito diferentes, se pudesse, já teria consultado em meu celular, a lista de melhores restaurantes, hoteis... Agora vou ter que almoçar nesse mesmo, que fica passando video show.
A noite cai e já seria hora de ligar pro pessoal e perguntar o que eles estavam planejando fazer.
Bem, acho que não é tão ruim assim. Não vou ficar me martirizando por não ter mais o que costumava fazer. Acho que a falta de celular não me deixa tão isolado do mundo assim. Era cômodo demais pra mim eu me isolar.
Um verdadeiro viciado tem que se acostumar com a falta do vício. Então, cá estou eu disposto a mandar toda essa tecnologia que me paralisou (ou não) pra daqui a, no mínimo, uns 5 anos!
Ao menos, estar "fora do ar" dessas geringonças barulhentas com emepetrês, penduricalhos e internet de velocidade turbo-mega-men-superscarissima-sônica vai valorisar um pouco o meu contato corpo-a-corpo, o que eu já tinha esquecido a muito tempo.
E, quando encontrar alguem que sentia muitas saudades, o encontro vai ser mais intenso. Pois, o MSN, orkut, celular e derivados não vão sugar essa falta aos poucos.
E sabe de uma coisa? Eu vou é melhorar essa máquina! Já que a moda é ser retrô, eu vou mandar tudo o que for moderno pra bem longe e viver uma vida sem artificialidades, pois foi só isso que a tecnologia trouxe

Cauã

quarta-feira, novembro 08, 2006

Grandes Heróis


“Salvador - Terminou em final feliz o caso do tratorista Hamilton dos Santos, de 53 anos que na semana passada se recusou a cumprir uma ordem judicial que determinava a derrubada da casa da merendeira Telma Sueli favela dos da Palestina. A Prefeitura de Salvador pretende regularizar o lote de Telma Sueli e de mais nove moradores do local, indenizando os proprietários dos terrenos que teriam sido invadidos pelos favelados.
Santos se preparava para colocar abaixo a casa da merendeira, mas percebendo o drama da mulher e das sete crianças que moram no local, o tratorista chorou e disse que não poderia executar a ordem nem que fosse preso. O oficial da Justiça que estava na favela para cumprir a ordem de despejo mandou prender Santos que foi liberado logo depois diante da repercussão do caso. (Agência Estado, 15/5/2003)
A grandeza humana vale uma matéria!”
CARLOS ALBERTO DI FRANCO


È doloroso pensar que casos assim estejam cada vez mais raros. E dói mais ainda, pensar que eles possam até nem existir mais.
Está cada vez mais difícil encontrar esses “Heróis do Cotidiano” em nossas vidas. Quando aparecem, é em algum jornal, num lugar longe de casa ou a muito tempo atrás.
Vamos crescendo, aprendendo, vendo o mundo de outra maneira e percebemos que já não temos mais heróis. A vida chegou a um ponto tão sem-graça que quando ouvimos ou vemos uma noticia dessas, nosso pensamento já não é mais de “lindo”, e sim de “que louco!”.
Ta, ta bom. Eu sei que ainda temos heróis. Papai, Mamãe, Vovós e Vovôs são os heróis-mores. Mas não são desses que estou falando, se fosse falar deles, não denominaria como “heróis do cotidiano”, e sim, de Heróis da Vida. Os do cotidiano são esses, que deixam de derrubar uma casa aqui, devolvem uma carteira ali, deixam um real cair do bolso acolá...
É, os heróis não são feitos apenas de fatos grandiosos...
Lembro-me do Tio-Do-Cachorro-Quente que sempre colocava um pouco mais de batatinha no meu hot-dog quando eu pedia, não tinha algo mais fantástico. A professora de inglês, que devido a ela, consegui passar direto no colégio; bendito meio ponto extra! Aqueles 20 centavos que o meu amigo me deu pra voltar pra casa, aquela risada mais engraçadas que as outras risadas, aquela ligação de madrugada numa noite de tédio, aquele cara que sai da vaga justo quando você está chegando...
Ahh.. Fica até complicado enumerar a quantidade de heróis e suas proezas. E até parece que o herói da noticia citada nem é tão herói assim, no meio de tantas generosidades.
Vou começar a fazer uma listinha de heróis, ver quem me salvou hoje, o que fizeram pra mim... E prestar atenção de como esses pequenininhos atos heróicos deixam a vida mais feliz.
Que os grandes heróis como o tratorista ainda exista! Pra poder me atentar a quantos heróis do cotidiano eu ainda possuo.


Cauã