terça-feira, fevereiro 26, 2008

Season Finale

De tempos em tempos uma idéia fica mais fixa na minha cabeça: A vida é um ciclo. Não é novidade nem mesmo surpreendente eu escrever sobre isso aqui, devido à cada vez que eu penso nisso, é porque essa idéia está se concretizando na minha cabeça.
Ainda está em fase de observação, mas vou lhe revelar uma idéia que, como disse antes, cada vez mais fica certa pra mim. Existem temporadas do ano, anos de décadas, décadas de séculos e séculos de milênios que se destacam por ser épocas de amor extremo ao próximo e épocas de absurdo amor pessoal.
Algumas vezes por ano eu noto que não sou só eu que fico mais carente, mais preocupado com alguém, mais afetivo, resumindo: querendo companhia permanente. Assim como existem épocas que eu fico louco, nada importa pra mim a não ser eu mesmo, é o período de mais surtos de pensamentos, beijos na boca, porres, e tudo que seja intenso.
É Fato! Nunca deixou de acontecer do mesmo jeito que nunca deixou de repetir. Estou esperando mais alguns anos pra concretizar essa teoria na minha mente e ganhar algum nobel de experiência própria por isso.

Só que, além de tudo isso, mesmo entendo cada vez mais sobre mim mesmo, em como eu ajo e penso enquanto a minha vida anda, o que eu fico mais maravilhado é como essa vida cíclica me surpreende à cada "repetição". Criatividade assim nem o melhor roteirista da melhor série não conseguiria ter. Ao mesmo tempo em que tudo se repete, tudo muda. O mundo inteiro vai ficando diferente e a minha história vai ficando cada vez mais interessante!
Nesse meu estudo pessoal sobre a minha vida repetidamente diferente, a primeira coisa que concluí foi que o maior entretenimento que eu posso ter é minha própria vida!
Acabei me viciando nesse programa e descobri que estou naquela temporada de transição, de greve de roteiristas, troca de personagens, mudanças de sets de gravação e horário de exibição. Ou seja: Uma mistura de tudo onde tudo tem seu lugar certo. E eu, como ator principal, vou tentando encaixar tudo no seu lugar. E, pelo que tudo indica, a próxima temporada vai ser tão legal como foi a anterior!

Cauã

sábado, fevereiro 16, 2008

Estupre você mesmo então

O que eu tinha que fazer agora era exatamente não pensar em pessoas. De repente, me surgiu uma raiva absurda de todas elas, daquelas de mãe brigando com filho, onde qualquer coisa vira motivo pra mais esculhambação. Que nenhum ser-humano venha pra perto de mim nesse momento. Explodam-se todos! Explodam-se agora e se reconstituam daqui a umas 2 horas, ou menos.
É nessas horas que eu vejo que sou um cara calmo. Ou no mínimo muito solitário que não consegue ficar sozinho em casa e começa a surtar.
To aqui, na minha e vem um monte de neuras e neurinhas. Mas com as neuras que me deixaram surtado, as neurinhas são a pior coisa que pode acontecer. É uma vontade absurda de madar um 'vai te foder então' rapidola, pronto, simples assim, se tivesse feito estaria bem melhor agora.
Vão se foder então! Vão bem rápido, explodam e voltem depois, só pra vocês saberem que tem que se foder agora pra minha raiva poder passar.

Errado

A pessoa que eu conheço melhor sou eu mesmo. Sou meu melhor amigo. Me conhecendo bem, vejo que sou a pessoa com mais defeitos que eu conheço, tenho todos os defeitos que eu posso ter.
De todos que eu conheço, eu sou o cara que sei que mais errou na vida. E bote erro nisso! Conseqüentemente, sei que conheço o cara que mais aprendeu na vida. Erros são provas de ensino, experiência de vida, ferida aberta... Sei que nem sempre tirei 10 nessas provas, sei que não sou experiente o suficiente - se é que existe isso - e sei que não consegui curar todas as feridas, mas sei que já errei bastante.
Sei que ainda teimo em querer todos os amigos do mundo, sei que meu cérebro ainda perde pro coração, sei que sou muito egoísta às vezes, mas sei que já errei muito.
Sei que já caí e levantei várias vezes, sei que já acertei depois de errar muito, sei que sei que nada sei, sei que já errei bastante.
Depois de errar muito, depois de aprender muito e depois de pensar muito, aprendi que ainda tenho que errar muito mais.
Por isso digo que sou um errante nato, que tenho orgulho de meus erros e que tenho um grandes defeitos. E gosto de errar, procuro, fatalmente, errar todos os dias.
Sei que todos meus defeitos valem a pena pelo simples fato que vão me fazer errar e sei que todos esses erros me fizeram ser meu melhor amigo e ver que sou a melhor pessoa que eu conheço. E que a perfeição fique sempre próxima à cada erro, mas nunca mais perto.

Cauã

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Nem sempre sozinho no escuro

Sempre quis entender as Madrugadas. Elas tem algo que nem um dia inteiro consegue ter. Talvez seja por, nas madrugadas, todos se sentirem meio especiais, onde todos dormem, você está lá, acordado, observando-a, compartilhando sua insônia, seu dia, sua música, seus pensamentos, tudo aquilo que não floresceu durante o dia com ela, a bendita Madrugada.
Nesse clima de que tudo é novo mesmo que você já tenha passado por aquilo várias vezes, ou até diariamente.
Madrugada é descanso, é reflexão sobre o dia, é expectativa de amanhã, é nostalgia das besteiras da semana.
Por isso que ela é tão tão. Porque querendo ou não, todo mundo acaba tendo que viver no dia e, quando pode, viver a madrugada é sempre fascinante!
Queria que o tempo que me sobra na Madrugada fosse o mesmo que não existe de dia. Queria que a criatividade e o turbilhão de pensamentos que surgem depois das 1 hora da manhã fossem os mesmo de 1 hora da tarde. Queria a mesma coragem e vontade da Madrugada, queria a mesma paixão, a mesma intensidade, o mesmo sabor!
Além de tudo, quero que a Madrugada continue Madrugada, não saia disso e que eu continue sempre encontrando com ela assim, casualmente.
Melhor se esses encontros forem frios e chuvosos e nem sempre sozinhos.

Cauã com insônia

domingo, fevereiro 10, 2008

Memórias sonoras

Memórias de seres humanos são fracas. Temos cérebros pequenos e incapazes de armazenar muitas coisas. Somos superiores a muitos animais, eu sei, mas ainda acho nossa memória pífia comparada ao tempo que vivemos e à quantidade de coisas que passamos durante a vida.
A minha, principalmente, é horrível. Ainda não achei um curso que me ajudasse, existem esses de leitura dinâmica, coisa e tal... Queria mesmo era um pra organizar as memórias, lembrar de coisas muito valiosas e não gastar lembranças com coisas avulsas e que ninguém lembra.
Como ainda não encontrei esse curso, me viro tentando aproveitar a que eu tenho. Já cansei de tentar discutir cenas de filmes ou lembrar de nomes de músicas. Músicas pra mim são melodias que não tem nome, são trilhas sonoras que sempre vêm acompanhadas de cenas mirabolantes. Por isso sempre tento escutar música de olhos abertos e, se escuto de olhos fechados é lembrando de alguma cena já existente.
Todos tem aquelas lembranças eternas, que vão levar pro resto da vida, aquelas cenas engraçadas ou tristes que, mesmo que você queira, nunca vão sair da cabeça. Eu tenho as minhas, são muitas. E como a minha memória não é muito boa, pra eu poder lembrar, elas vêm acompanhadas de músicas. É só ouvir uma música, aquela música, que eu lembro da cena. Instantâneo!

Pessoas dizem que quando estão perto da morte elas vêem um filme passar na mente delas, né?
Acho que na hora que estamos prestes a morrer todas essas lembranças que guardamos com muita segurança em nossas cabeças que vêm à tona. São vários momentos que vêm desde a infância e vão até àquele exato momento.
No meu caso, essas cenas viriam acompanhadas de suas respectivas músicas. Seria o set list mais rápido e mais eclético que qualquer dj jamais pensou em tocar! Seria lindo! Tenho tanta coisa bonita e emocionnate guardada nessa memória marromenos... Tanta música bonita, engraçada, estranha e inapropriada...
Se um dia eu puder ter esse filminho passando na cabeça antes de morrer, caso eu morra, morrerei feliz, com um sorriso bonito.
Vai ser tipo abertura de Oscar, onde passam todos os filmes que concorrem. Com drama, comédia, suspense, aventura, horror, terror, pavor, risos, risos, risos... E sempre uma música legal no fundo.
O Oscar de melhor trilha sonora seria meu.


Cauã

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Sonhar acordado, dormir sonhando

Tinha sido um sonho difícil, daqueles que dão muita sede quando se acorda com o lençol no chão e o corpo todo melado de suor. As janelas daquele apartamento mínimo que não tinha parede entre a sala, o quarto e a cozinha estavam fechadas. E ele não precisava. De tão pequeno, conhecia cada centímetro de bagunça que lá existia, sem ter que abrir os olhos e com as mãos amarradas. O problema era que aquela tontura forte de quem se levanta rápido não passava.
Abriu a torneira da pia e pegou aquele copo, que sempre ficava em cima do fogão, e encheu-lhe de água. Tomou três copos cheios e a sede não passou. O sono também não voltou.
A habilidade dele com o apartamento escuro era inversamente proporcional à sua noção de horário, ele não fazia idéia de que horas eram, só sabia que já era noite.

Só que dessa vez seu relógio biológico nunca esteve tão errado. Ele abriu a cortina e uma luz que ele nunca tinha visto tão forte ofuscou seus olhos. E aquela cegueira se juntou a tontura e a sede. Ficou deitado na cama por incontáveis minutos e o brilho daquele sol novo não saia do quarto. Alguma coisa estava estranha.
Ele fitou aquele feixe de luz por outros incontáveis minutos e resolveu encara-lo. Pegou seu lençol no chão, cobriu a cabeça e saiu andando. Bateu a porta do apartamento e desceu as escadas. Nunca tinha visto pessoa parecido com aquele que estava na portaria, o homem ficou o olhando com a mesma cara de espanto.
No primeiro passo na calçada ele caiu, alguém o ajudou, só que ele não conseguia ver o rosto dessa pessoa, algum tipo de sombra encobria-o. Parece que tinha desmaiado e acordado já em pé e longe de seu prédio. Mas o medo era ínfimo comparado àquela curiosidade ensolarada, continuou andando. Todos aqueles prédios não eram estranhos, era a sua vizinhança, só que com uma psicodelia de cores e brilhos nunca antes imaginada.
Reflexos nas sacadas, vidros verdes, carros amarelos, barulho, muito barulho, pessoas falando forte, pessoas que se olhavam, pessoas que não se olhavam, uma orquestra de bocas cantando várias notas inaldíveis ao mesmo tempo. Nunca tinha visto tantas pessoas juntas naquela rua.
E o mais estranho era achar tudo aquilo tão diferente e semelhante ao mesmo tempo, como um déjà-vu.

Ele passou um dia inteiro nesse déjà-vu, andou, andou, andou... Até que escureceu. E as coisas começaram a ficar do jeito que ele era acostumado a ver. E foi começando a fazer sentido, aquilo era o dia, o dia que ele nunca tinha vivido. E de tão impressionado com o dia, começou a estranhar a noite. Sentiu falta de todo aquele barulho, das cores, dos carros, das pessoas.
Correu para seu apartamento, passou pelo mesmo porteiro de sempre, - o qual não estranhou aquela correria - deitou na cama e ficou pensando em tudo que tinha passado naquele dia. Pensou se as pessoas já tinham o visto, pensou em porque o porteiro do dia cheio de luz o olhou estranho e porque o porteiro da escuridão não tinha se importado com o seu desespero.

E de tanto pensar, dormiu. E acabou sonhando que acordava no mesmo apartamento. Só que agora as janelas estavam abertas, com muita luz e nada tão estranho, e pensou: Ele estava acordado e tinha sonhado que conhecia a noite ou ele estava dormindo e tudo que ele está passando durante o dia é um sonho?

Cauã

domingo, fevereiro 03, 2008

o Adeus.

Já não precisas mais de mim, há muito tempo. Siga o vôo sempre mais alto, mais calmo, mais seu. Eu estarei sempre aqui, a observá-lo. Mas nossos bicos já não trocam alimentos. Só nossos olhares, longíquos, permanecerão. Essa casa é tua, eu já não a habito mais.

Feliz amanhã.
Acaná.

sábado, fevereiro 02, 2008

E quem um dia irá dizer que não existe razão?

Ele um visionário, ela conservadora. Ele novo, ela mais velha. Ele Eduardo, ela Mônica.
Ele tomava banho de chuva, ela banho de sol. Ele estudava enquanto ela trabalhava. Ele tinha frio e ela calor.
Eles tinham tudo que um casal pode ter pra não ter algo em comum. Tinham um mundo inteiro pela frente, um destino bonito e feliz, teriam saúde, paz e dinheiro no bolso. Teriam. Teriam se não tivessem se encontrado.
O destino tentou, tadinho, tentou mesmo. Mas não conseguiu fazer com que eles não se amassem.
Naquele dia de chuva, febre, estudos e responsabilidades ele resolveu não ser ele e arriscar todas as fixas dele num sonho dele, só dele. Num dia de tédio, ressaca, revolta e abstinência de cigarro ela resolveu ser ela. Resolveu tentar resolver todos os problemas que a incomodavam naquele momento, os outros problemas que seriam conseqüência da tentativa da resolução daqueles problemas daquele momento, ela resolveria depois. Ela foi ser ela e ele foi deixar de ser ele.
Ele era parada de ônibus e ela era supermercado. "Malditas paradas de ônibus em frente aos supermercados!" dizia o destino. Ele era casaco, calça, medo e agonia. Ela era short, casaco, vontade e agonia.
Chuva forte, ele corre pra debaixo da cobertura da farmácia enquanto ela anda calmamente pra cobertura da farmácia. "Oh não! Um lugar com dois lugares!" lamentava-se o destino. Ele direita, ela esquerda.
Ela reclama, pensa em ir andando debaixo da chuva. Mas a chuva era exatamente o motivo da ida ao supermercado pra não ter mais que sentir a chuva.
Ele não sabe se reclama ou agradece, pensa em ir andando debaixo da chuva. Mas a chuva era exatamente o motivo da ida à parada de ônibus pra não ter mais que andar debaixo de chuva.
Os dois ficam (para desgraça do destino), se olham e não se gostam. Ele era baixo, agasalhado, com cara de estudioso e com corisa no nariz. Ela era alta demais, sem roupa demais, com cara de drogada e cascão no dedo.
Depois de três minutos, quarenta e quatro segundos e sessenta e sete centésimos um anjo, que até hoje eles não sabem quem, pergunta onde fica o bar 'Legião Urbana'. Ele responde: do lado da parada. Ela responde: em frente ao supermercado.
Um olha pro outro como o intruso da resposta de ambos. Mas o anjo não tinha especificado um respondedor.
Depois de alguns segundos, que até hoje ninguém sabe quantos exatamente, ela reclamou da chuva e ele reclamou do frio. Depois ele reclama da febre e ela reclama da falta de cigarro.

Passadas muitas reclamações egoístas e muitas gotas de chuva, eles começaram a perceber o quanto tinham de incomum, o quanto não se gostavam, o quanto não dariam certo e o quanto estavam estupidamente atraídos um pelo outro.
A chuva naquele dia, para causar o suicídio dos destinos dos dois, não parou. Ele esqueceu da parada de ônibus e ela já não queria ir mais ao supermercado. Ela, como sempre, bem mais ativa, o chamou para a casa dela (a mais bagunçada casa que ele nunca teria visitado). Ele, não sendo ele, aceitou aquele convite. Definitivamente, ele não era ele mesmo!
Passada uma noite tensa e intensa, eles descobriram que nunca dariam certo e que voltariam a se ver todos os dias, que a cada dia que eles não se vissem ela teria que ir ao supermercado e ele à parada de ônibus apenas pra lembrar um do outro.
Por incrível e desafiador que pareça, eles nunca mais deixaram de se ver, mesmo quando o filhinho do Eduardo ficou de recuperação.

E todos os dias que chove muito, como hoje, eles correm pras ruas pra fazer garotos não serem eles mesmos, cigarros acabarem em casas de garotas e todos terem uma noite tensa e intensa com muitas promessas, percepções e decisões.

Cauã

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Resposta sem solução

A velhice é algo que nos consome. Experiência é o resultado de uma equação entre o tempo e a sabedoria. Quanto mais gastamos um, adquirimos outro.
O tempo nos corrói, nos maltrata em pedaços, lentamente. E demora uma vida pra nos matar.
Com o tempo, aprendemos a desaprender algumas coisas. Ou, até mesmo, deixamos de nos importar com alguma. A Sabedoria e a Experiência tem seus pontos fracos. De tanto nos ensinar como as coisas são e acontecem, quando estamos um pouco mais experientes, perdemos o gosto, a surpresa, o sentimento do que gira ao nosso redor.
Nossa! Como é difícil descobrir coisas novas depois que já se viu de tudo!
As bocas perdem o gosto, os movimentos perdem a criatividade, as pessoas deixam de ser interessantes e o tempo torna-se previsível. Tudo torna-se previsível e, se não for, nosso orgulho não nos deixa mais acreditar que foi uma surpresa.
Com o tempo, os sentidos ficam cada vez mais insensíveis. A chuva já não é sentida do mesmo jeito, não desliza a pele como antes, a Lua já não é mais tão branca e brilhante, o mar não faz mais barulho, o vento não desarruma mais os cabelos, o açúcar não tem mais o mesmo gosto e as pessoas já perderam o perfume.
Eis que vem à tona uma antiga incógnita: Envelhecer tendo experiência ou viver a infantil juventude eternamente?
Creio eu, com a minha inexpressiva experiência, que a resposta não está na escolha do caminho a seguir, mas, sim, na busca por novos fatores que venham compor àquela equação.
Então corramos procurando novos fatores, novas somas, subtrações, multiplicações e divisões. Que essa equação não seja simples, que seja bastante complicada, que nós, experientes ou não, nunca encontremos o resultado. E que todos os novos cálculos, respostas e soluções sejam novidade!

Cauã

terça-feira, janeiro 22, 2008

Evolução obscuramente explícita

Hoje tentei escrever algo legal, mas não consegui.
Vi que isso está explicitando demais minha vida, contando minhas maiores fraquezas, meus maiores defeitos... Vou começar a escrever sobre minhas qualidades. Coisas que eu acho legal em mim, fazer um auto-merchan pra aqueles que ainda gastam tempo lendo isso.
Vou parar de contar meus segredos, pra que algumas pessoas descubram, e parar de escrever coisas que posso contar pessoalmente.
Mas, sinceramente, não consigo! Sinto necessidade de deixar meus podres para que toda internet veja, pra que, daqui a alguns anos, eu veja e consiga avaliar o quanto eu evoluí, se as minhas idéias de hoje farão sentido amanhã.
Tenho grande afeto as minhas coisas, não consigo me desvencilhar de alguma coisa que seja minha com facilidade. Então descobri que além de escrever para os outros, para que os outros comecem a descobrir meu eu mais obscuro, eu escrevo pra mim, para que eu me lembre do meu eu mais obscuro e saiba o quanto eu evoluí amanhã.

Sinta-se a vontade de saber quem eu sou, pois você saberá o quanto eu evoluí. Não perca por esperar.

Cauã

Tapas

"Ave falconiforme, distribuída do Panamá à Argentina, de coloração pardacenta mais escura no dorso e na cauda, esta com faixas claras transversais; tem o lado inferior branco, uma mancha clara circundando o pescoço, uma faixa negra em torno dos olhos, prolongando-se até a nuca, e o alto da cabeça branco. Ave de rapina que ataca especialmente os ofídios".

Um dia éramos aves de rapina, cheios de palavras a correr nos finos vasos sanguíneos dessa ave atroz. Mas o nosso ataque era bom, leve, utilizava símbolos para expressar nossa paixão pela vida, nossos desafios e o mundo - o nosso mundo,visto por dois pares de olhos que olhavam para o mesmo horizonte perdido. Até que eu percebi as palavras transbordarem em erupções cada vez mais constantes, cheias de uma sensível sabedoria, e um dia resolvi criar esse mundo de representações, onde você e eu expressaríamos o nosso mundo..

Outro dia me dei conta dos rumos em que voamos e, com espantosa nostalgia - essa a que se refere -, notei o percurso contrário que tomamos. Percebi ainda, com maior espanto, a enorme distância que separa nosso vôo e o quanto a sua ave encosta o bico no peito e só se dá conta da sua individual existência. Ela diz andar em corda bamba, assume que o sentido do seu vôo está apenas em fazer com que os outros pássaros a perceba e ame e, por fim, nota esse coração de pedra e frio que agora bate em seu peito. Confesso a minha decepção, mas animo-me em ver uma possível revolução! Estou batendo na sua cara para que você também bata na minha, dou-lhe minha face, meu peito, minha arma. As minhas verdades - se é que as tenho - parte são dúvidas, parte encantamento, parte tristeza, agonia, felicidade, contradição! São elas as impulsionadoras daquilo há muito guardado sob minhas asas. Se as suas verdades são aquelas que me fizeram decepcionar, então enxugo as lágrimas e o compreendo do jeito que é, ou se tornou – tudo sempre muda; mas se elas são apenas máscaras de verdades muito mais simples, então sim, dou-lhe todas as tapas à cara e digo-lhe que um dia, quando as quiser tirar, estarão pegadas à cara.

Primeiro senti a raiva de não vê-lo mais voar comigo - ou será que fui eu quem desviou o caminho? Caminho.. parece que há um certo e um errado, não, não há. Só chegou um dia em que as nossas diferenças foram maiores que as semelhanças. Como é difícil aceitar isso! Mas depois da raiva vem a aceitação, a plenitude da realidade se mostra boa, simples de ver: estaremos sempre voando, o horizonte ainda nos espera, o que mudamos foi o modo de chegar lá. Então o amor fica guardado e os álbuns fotográficos gravam as melhores memórias. "Tudo acaba, mas não completamente" - disse certa ocasião.

Agora bata em mim, sempre senti falta da sua raiva.
Acaná.

Pensaralhada

Essa overdose de textos deve ser culpa da proximidade do aniversário. Pensamentos turbilham, todas as avaliações de mais um ano que passou vêm a tona e a vontade de soltar milhões de gritos palavreados é imensa.
Vou dormir, tchau. Feliz amanhã

Cauã

Revolução Despedradeira

Há algum tempo que meu coração empedrou. Não sei exatamente se existe esse verbo do mesmo jeito que não sei exatamente quando foi que meu coração ficou assim.
Só sei que não foi algo repentino, foi gradual, coisas e coisas acontecendo, pensamentos e pensamentos reverberizando, atitudes e atitudes se fazendo... Até que ele empedrou. Puf. Virou pedra.
Já não consigo mais amar, gostar com vontade, querer tudo pra mim com intensidade. Aquela força de vontade de antes virou pedra, está estática. Está tudo preto-e-branco. Lógico, tudo limitado ao setor do coração. Virou um ministério sem uso no governo chamado eu.
Começou uma revolta, uma desorganização total. Acabaram-se os escrúpulos, cairam as taxas de afetividade, o preço do carinho despencou e a sinceridade comigo mesmo bateu os recordes de inflação. A Temperatura corporal beirou o zero absoluto, mas já relatei isso anteriormente.
Só que, como todo governo, a ditadura tinha uma fraqueza: os revolucionários.
Os revolucionários vieram de longe! De dentro do próprio governo - que estavam escondidos em gabinetes abandonados no fundo do corredor - de fora, de outros governos contrários à essa ditadura de pedra, e até de partes que eram aliadas que cansaram daquela mesmice sem graça e sem tesão.
Essa revolução começou pequena e tem ganhado grandes proporções. Os revoltosos, apesar da classificação, são pacíficos, querem dominar o governo calmamente e espalhar suas idéias pelo mundo. É, o mundo. Não precisa ficar só aqui, eles pensam macro, e não micro.
Hoje foi a sua primeira manifestação pública e explícita. Fizeram o mundo tremer, Eu tremeu. Postaram milhões e milhões de faixas coloridas e nostálgicas com lembranças amorosas que fizeram o povo - que já estava acostumado com aquela pedraria - sorrir. Cenas de amores intensos, declarações de amor e olhos esperançosos foram exibidas nos principais telões do país.
Não sei o que vai ser daqui pra frente. Com essa grande revolução começando, pode ser que o governo mude algumas coisas, tome atitudes drásticas, recorra à outros governos para que o ajude... São várias as possibilidades. Mas algo me diz que o mundo está voltando a ser colorido de novo.

Cauã

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Pedaços de 2007

Se tem uma coisa que 2007 me marcou, foi a sua ida, o fato dele passar e nunca mais voltar, o fato de nascer no dia primeiro de janeiro e morrer no dia trinta e um de dezembro. E isso. Nada mais.
Assim como 2007 foi sem deixar mágoas, choros ou dor, ele me ensinou a viver assim diante de todas as despedidas que passei em 2007.
Em 2007 aprendi que tudo que vai, volta. Se não volta, não tem porque eu querer que volte.
2007 começou com mais uma despedida repetida que não é bem uma despedia e teima em acontecer de semestre em semestre (ta, ninguém vai entender). E nessa despedia eu decidi que seria o último tapa da saudade mortal que eu levaria na cara. Se essa despedida acontecerá mais algumas vezes, vou esperar pelo tapa violento na definitiva.
Em 2007 também conheci muita gente. Antes, quando eu conhecia muita gente e gostava muito dessa gente e depois me separava dessa gente, era horrível. Chorava, ficava deprê e depois passava. Tinha que passar.
Em 2007 eu descobri que as pessoas que realmente valiam o meu choro antes de 2007, eu reencontrei no bendito 2007. Então, pra quê chorar uma despedida se um dia vai ter recepção?
Então, pra quê chorar uma despedida se um dia a dor vai passar e não vou ter outra recepção?
Pra quê? Por que? Não tem. Não precisa. Não faz, deixa sem.

E foi assim que 2007 foi: sem choro, sem despedidas, muitas recepções e muito tempo aproveitado no lugar do choro.
Aprendi a dar valor nos encontros e não pensar em como vai ser minha vida depois, sem aquela pessoa. Aprendi a valorizar o momento, o fato de ter encontrado, devido a magia do destino, aquela pessoa. Aprendi que as pessoas que realmente me marcam, não vou deixar de vê-las, um dia, qualquer dia, mesmo que tenha despedida, eu vou reencontra-las.
E, principalmente, aprendi a não esperar muito do futuro, pois se o passado me pôs num bom presente, futuro é conseqüência.
2007 me fez saber distinguir as pessoas que realmente vão tirar um pedaço do meu coração e leva-lo consigo, daquelas que me deram um pedaço do seu coração e eu vou leva-lo comigo.

Depois de 2007 eu faço de tudo pra que todas as pessoas que eu conheça me dêem um pedaço do seu coração e que eu possa dar à elas um pedaço do meu. Sem choro.

Cauã

Estranho...

Hoje foi um dia de bombardeio de emoções, de dúvidas, de coisas estranhas. Bem estranhas.
Eu gosto de coisas estranhas. Me acho estranho. Eu me sinto bem por me achar estranho. Mas gosto de me achar um estranho não tão estranho porque todos são um pouco estranhos e sempre vão ter um pouquinho da sua estranheza, assim, lhe deixando menos estranho.

Quando se repete muito a palavra "estranho" ela parece mais estranha do que já é.

Cauã Estranho

sábado, janeiro 19, 2008

Todo dia de manhã

Nostalgia é um troço complicado, né? Diferente da saudade, ela existe em diferentes línguas. Nostalgia não é saudade, nostalgia é sentir falta mesmo, é abstinência, é viagem no tempo, é fogo-amigo, é ferida aberta que a gente não quer curar, é um tiro no próprio pé.
Sinto a saudade como algo não muito intenso mas sofrido. É aquele sizo nascendo que dói pouco, mas por muito tempo.
Nostalgia eu vejo diferente. Nostalgia é aquele soco no estômago, que te deixa sem ar, sem equilíbrio e sem reação. Nostalgia é bombardeio de saudade, é explosão de dor. É tipo um trem bala, que vem e vai rápido e leva e traz muita coisa.
Como eu disse, nostalgia me faz viajar no tempo, me faz acordar de vez em quando.
Nada como um dia nostálgico! Dia nostálgico deveria ser justificativa de falta no trabalho. Ou então, assim como temos um dia pra ir à igreja e um pra ir ao motel, deveríamos ter um dia pra nostalgiar. Desanuviar, ficar olhando pro céu, pras paredes ou para a estante... por horas. Dia de saber que alguém, em algum lugar do mundo, está tendo um turbilhão na cabeça e lembrando de você com muita vontade. Dia de por todas aquelas músicas gays ou alcoólatras no winamp e ligar pra todo mundo. Tipo, companhias telefônicas reduziriam as tarifas. "Do seu celular pra qualquer telefone do mundo você liga com tarifa reduzida nos fins de semana e madrugadas. Dias nostálgicos é de graça!!". Imagina como o mundo seria melhor.
Ninguém nostalgia momentos ruins. E se acabar ocorrendo, vai ser com aquele sorrisinho no canto do lábio.
O Decreto do Dia Nostálgico seria a melhor maneira de fazer as pessoas pararem de reclamar que a vida delas está passando e elas não percebem. À cada semana elas poderiam nostalgiar todas os bons acontecimentos. Nostalgiar marca na memória. Eu ainda consigo lembrar de todas as coisas dignas de se nostalgiar.
Isso evitaria brigas de namorados porque um ao outro saberiam que poderiam pensar no ex, mas só naquele dia, e pronto. Evitaria aquela conhecida ressaca moral também, com o costume de nostalgiar, nós nos desprederiamos do hábito de taxar as coisas como boas e ruins. Pessoas começariam a ter o hábito de achar tudo bom, pois tudo que fosse lembrança seria nostalgia.

Enquanto o decreto não vira lei, eu vou aqui treinando, me dando um tiro no pé e não fechando a minha ferida, nostalgiando, todo dia de manhã, as besteiras que fiz ontem.

Cauã

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Frio

Tenho um sério problema.


Na verdade não sei se é um problema ou uma puta de uma qualidade! Às vezes eu acho que sou abençoado por ser assim. Às vezes, durante a nostalgia das besteiras de ontem, eu me sinto um lixo.
Meu grande problema é não saber tudo sobre os outros. E isso me deixa bastante agoniado. É, só eu. Arram.
Tá, vou começar a ser frio. Primeiro eu quero saber se todas as pessoas conversam muito consigo mesmas. Mas eu digo, tipo, MUITO. Porque eu sou assim. E, sendo assim, eu já peguei abuso de mim mesmo. E quando estou conversando comigo falo as coisas na minha cara, sou muito verdadeiro. E muita verdade é sinônimo de maldade.
Cara, eu sou um cara muito mau quando converso comigo mesmo. Não tenho escrúpulos, 'falo mermo', penso o que é pra pensar e piso nos pensamentos que tiver que pensar. Sei avaliar quando fui falso e quando fui verdadeiro, de quem eu devo me afastar e de quem eu devo me aproximar... O que eu tenho que fazer ou falar pra alguém se interessar por mim, como eu tenho que agir pra reverter uma situação... Sério, tenho medo de mim às vezes.

Só não tenho medo toda hora porque sei que sou humano. E nem sempre consigo fazer tudo aquilo que eu e meu eu frio e calculista planejamos. Algumas vezes o coração - sim, o coração! - manda no pedaço. Daí, cara, nem queira ver o que acontece. É uma baita de uma briga louca, cheia de bombardeios de pensamentos e tiros de insônia.

Eu acho isso tudo bom. Todo dia, toda hora, a todo pensamento eu estou brigando comigo mesmo e me conhecendo cada vez mais. Mas estou ficando viciado em ser verdadeiro comigo, aprendi a não me ofender com o que eu falo pra mim. Daí eu fico com medo. Mas medo é bom. Eu fico na dúvida se tudo isso é bom ou ruim.

- Porra, Maurício, já ta falando a mesma coisa?
Foi mal, gente, tenho que ir porque eu to aborrecido e sem paciência. Eu vou lá falar comigo e volto qualquer hora.
Feliz amanhã

Maurício e Cauã

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Parece

Às vezes parece que eu fico algumas épocas, meses, talvez dias ou horas, dormindo. Meio que sonhando acordado. E às vezes parece que eu acordo. Parece que eu passei por certo período de tempo e não percebi. Parece que certas coisas eu não vivi. Parece que ainda não tinha percebido que certas pessoas eu tinha conhecido ou gostado. Parece que algumas coisas tinham perdido o gosto. Parece que alguns amigos eu esqueci.
Mas meus acordares, nessas vezes que durmo acordado, parecem muito chocantes. Mas são aqueles choque de reanimação que dão um baita dum impacto e depois vão me fazendo sentir aquela dor, no caso, angústia.
E acho que esses acordares me ajudam às vezes a me acordar acordado. Mesmo não me fazendo viver o que parecia não ter vivido; mesmo não me fazendo perceber o que eu parecia não ter percebido ou gostado; mesmo não me fazendo achar as coisas que pareciam que eu tinha perdido; eu gosto deles.
Querendo ou não, tudo isso é bom. Os dormires me ajudam a, quando acontecerem os acordares, aprender a não dormir mais. Já que nasci dormindo...

Cauã

terça-feira, novembro 20, 2007

Ego-ismo

Venho aqui, por meio deste, declarar minha total ciência e consenso de minha situação de assumido Egoísta!
Assumo que, como qualquer egoísta, quero alguém que lembre de mim, que pense em mim pelo menos seis vezes ao dia, que seja feliz por me conhecer, por saber que eu existo e que seja feliz porque eu a faça feliz. Também assumo que desejo intensamente que essa mesma pessoa nunca saia de perto de mim, que nunca me troque por mais que eu acabe trocando-na, que essa pessoa não toque no nome de pessoas que eu não conheço, pior ainda se os comentários forem beníguinos!
Declaro que sou egoísta pelo simples fato de qualquer coisa que penso pelo bem do próximo é causa de algum bem que penso por mim mesmo. Declaro que desejo de volta todos os favores que fiz independentemente da importância ou do tamanho dos mesmos.
Assumo que só sou um romântico assumido porque essa é a melhor forma de ter certeza que conseguirei alguém que pense em mim vinte e quatro horas por dia e, conseqüentemente, me ame. Assumo que amo apenas por egoísmo.
Confesso que tudo o que uso, aparento, pareço ou tento ser é exclusivamente pra parecer mais agradável ao olhos dos outros para poder conquista-los. Sou viciado em conquistar pessoas. Tudo por causa de meu egoísmo.
E para terminar: Assumo, declaro e confesso em sã consciência que gosto do jeito que sou, que consigo benefícios em ser egoísta e que acho que essa é a melhor forma de viver pois consigo ser feliz sem nem sempre pensar apenas nos outros.

Cauã, O Egoísta.

domingo, novembro 11, 2007

Jovem

Quando eu crescer eu quero ser jovem. Jovens são malandros, jovens são tranquilos. Quando eu deixar de ser criança, quero ser jovem.
Jovens andam na corda bamba que está entre a responsabilidade e a loucura. E eles passam a juventude inteira andando perfeitamente nessa corda.
Crianças vem pelo lado da loucura e os adultos caem pro lado responsável.
Quando eu crescer, quero ser um jovem bem equilibrista, mas que de vez em quando erre. Quero aqueles erros que me joguem pro lado infantil, mas depois me façam ver que tinha que ter jogado o corpo pro outro lado. Quero da saltos, quero correr, quero andar debaixo de chuva por essa corda. Quero chorar, quero gritar, quero sofrer e quero sorrir. Quero fazer todas essas coisas que os jovens fazem. Quero que essa corda tenha um fim, quero termina-la. Adultos não terminam de andar na corda. Sempre quando está na melhor parte eles caem por não saber se equilibrar. Filhos, pais e mães, drogas, trabalho, estudo... Tudo isso e mais um pouco fazem muitos jovens cairem dessa corda maravilhosa na melhor parte. Quero poder termina-la, mas termina-la quando eu já estiver beeeem velhinho, quando estiver um jovem bem velhinho.
E quero passar a vida inteira nessa corda bamba e depois, lá no final, quando já estiver bem velhinho, eu desça dela pra receber um prêmio de mestre. Um daqueles prêmios que fazem a família inteira se orgulhar.

Cauã